Tatuagem para disfarçar olheiras: uma moda sem eficácia e cheia de riscos

olheira

Já tivemos oportunidade de falar aqui no blog sobre olheiras e agora voltamos ao assunto, em tom de alerta, em meio a mais uma “modinha” muito preocupante: a tatuagem nas áreas escuras sob os olhos.

Vendido como “tratamento milagroso”, por pessoas sem a devida formação em Dermatologia, esse tipo de intervenção preocupa muito quem tem um compromisso com a saúde da pele e com o bem-estar do paciente.

Primeiro, por se tratar de uma região extremamente vascularizada e muito próxima de importantes estruturas dos olhos, como as glândulas lacrimais, as pálpebras inferiores e a região ciliar. Qualquer imperícia nessa área pode realmente custar muito caro.

Preciso ser franca e dizer que não gosto de pensar em alguém sem habilitação médica realizando um procedimento invasivo nessa área tão sensível – aliás, procedimentos invasivos em geral merecem rigoroso controle para garantir que sejam feitos somente por quem tem a devida qualificação para realizá-los!

Mas falemos da suposta eficácia da técnica em si:

  1. A área sob os olhos é uma das mais finas e delicadas da pele. E, quando falamos em tatuagem (ou mesmo em uma alternativa considerada “mais branda”, chamada de micropigmentação), estamos falando em, literalmente, aplicar tinta nessa área. Isso implica desde o risco de reações alérgicas, até a dificuldade de se conseguir uma pigmentação realmente natural e bem calibrada com o tom natural da pele;
  2. A causa das olheiras são as mais diversas, e isso é um fator preponderante no potencial de sucesso de qualquer tratamento. O escurecimento da área sob os olhos pode ocorrer tanto devido a circunstâncias passageiras, que levam a uma maior vasodilatação da região, como o cansaço e a privação de sono, quanto devido a fatores morfológicos e genéticos. Pessoas que têm o sulco lacrimal profundo, pessoas que tenham tendência a um maior depósito de melanina nessa região, pessoas que desenvolveram bolsas sob os olhos ou que simplesmente estão com essa área mais flácida devido à ação do tempo, todas elas tendem a ter olheiras. É inconcebível pensarmos que uma mesma técnica terá a mesma eficácia em situações tão diferentes;
  3. Diversos tipos de laser são alternativas de tratamento existentes para as olheiras – e para a pele do rosto, de uma forma geral – de forma comprovadamente segura e eficaz. Mas em uma área tutuada ou micropigmentada, podemos ter severas retrições para trabalhar com essa técnica;
  4. Sempre lembro aos meus pacientes que em qualquer intervenção estética temos de levar em consideração que o organismo jamais cessa o seu processo de envelhecimento. No caso de uma tatuagem (em qualquer área do corpo), o tempo vai agir tanto sobre a pele da região, quanto sobre a tinta. Portanto, a tendência óbvia é a de que aquela cor conseguida num primeiro momento venha a sofrer significativas mudanças com o passar dos anos – e, nessa altura, será muito mais difícil qualquer novo tratamento para melhorar o aspecto da região.

Por todas essas razões, venho hoje apresentar as minhas sérias reservas em relação às tatuagens para disfarçar olheiras. São as mesmas reservas que tenho em relação a qualquer outro tratamento de pele que se venda como “milagroso” e universal.

Hoje temos um enorme arsenal para tratamentos dermatológicos, com tecnologia de ponta avanços científicos que acontecem a passos largos. Mas tudo isso funciona como mecanismo auxiliar e ao serviço da perícia e do preparo do especialista – aquele que estudou e se qualificou para entender que cada pele é única, órgão componente de um todo. Não cuidamos de problemas isolados, cuidamos de pessoas. O resultado oferecido hoje não pode ser a sentença de um problema para esses indivíduos amanhã.

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