Combate à hanseníase ainda é um desafio para o Brasil

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Manchas e sinais na pele devem ser avaliados pelo dermatologista o mais cedo possível

 

O último domingo do mês de janeiro é mundialmente dedicado a luta contra a hanseníase. Uma tecla que nós, dermatologistas e profissionais de Saúde, em geral, não podemos deixar de bater é no alto índice dessa doença no nosso país.

Apesar dos dados do Ministério da Saúde apontarem que houve uma redução de 68% nos números da doenças na última década, o Brasil é o país que concentra o maior número de casos e o único que não está em processo de eliminação da doença, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMC), em 2016. A meta estabelecida pela OMC para que a doença seja considerada controlada é que o índice de incidência seja menor do que um caso para cada 10 mil habitantes.

Outro fato preocupante é sabermos também que a doença ainda é muito subdiagnosticada – ou seja, há muitas situações de demora ou de não reconhecimento da patologia, impedindo o início precoce do tratamento, antes de suas complicações.

Cura

Conhecida e temida há milhares de anos, a doença carrega um enorme estigma, devido aos graves danos estéticos e funcionais que pode causar e ao seu alto índice de contaminação no passado. Hoje em dia, entretanto, a hanseníase TEM cura.

Além disso, o tratamento disponível atualmente no Brasil é 100% eficaz e totalmente gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS). A duração varia conforme cada caso – em média, de seis a 12 meses.

O paciente que inicia e segue corretamente o tratamento já não é mais capaz de transmitir a doença. Além disso, o início precoce do tratamento evita danos graves à pessoa contaminada.

Por todas essas razões, é fundamental chamarmos atenção sobre os sintomas, insistirmos na importância das pessoas procurarem logo um dermatologista diante do aparecimento de qualquer mancha ou lesão suspeita, bem como passarem em consulta com esse especialista pelo menos uma vez ao ano, para um check-up geral da pele.

Cuidar bem da pele, observar os seus sinais, avaliar periodicamente o seu estado (por meio do autoexame e das idas periódicas ao dermatologista) é algo que vai muito além das questões estéticas. A hanseníase é um exemplo expressivo de patologia que acomete esse órgão, mas que têm potencial para trazer implicações e consequências para todo o organismo, se o diagnóstico e o tratamento não acontecem de forma precoce.

Fique atento aos sintomas, procurando ajuda especializada o mais cedo possível.

hansen 1O QUE É A HANSENÍASE

A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa, de evolução crônica muito longa, causada pelo Mycobacterium leprae, uma bactéria que acomete principalmente a pele e os nervos das extremidades do corpo.

Sintomas

A manifestação dos sintomas acontece entre dois e 10 anos após o contágio. As primeiras alterações geralmente surgem na pele, com o aparecimento de manchas dormentes, de cor avermelhada ou esbranquiçada, em qualquer região do corpo.

É comum ocorrer diminuição da transpiração e queda de pelos no local. Placas, caroços, inchaços, fraqueza muscular e dor nas articulações podem ser outros sintomas.

Sem o devido tratamento, outros órgãos, como olhos, fígado, baço e testículos também podem ser afetados pela doença.

Com avanço da doença, o número de manchas ou o tamanho das já existentes aumenta e os nervos ficam comprometidos, podendo causar deformações em regiões como nariz e dedos, além de impedir determinados movimentos, como abrir e fechar as mãos.

Tratamento

Após a confirmação do diagnóstico, o tratamento é feito com o uso de medicações orais fornecidas gratuitamente pelo SUS.